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Descobrindo a America

Memórias de um um explorador Brasileiro vivendo na América

Marcio Nobrega

June 28

O Último dia de Bill Gates

Ontem, 27 de Junho de 2008 foi o último dia de Bill Gates como funcionário integral da Microsoft. Bill vai conservar o título de chairman e dedicar uma dia por semana para projetos especiais na companhia, mas efetivamente na próxima 2ª. Feira a Microsoft inaugura uma nova era - a era pós-Bill Gates.

 

Foi um dia muito especial. Pela manhã tivemos um ‘town hall’ que é o termo usado para reuniões feitas na sede da companhia em que todos os empregados são convidados. Durante 1 hora, Bill Gates e Steve Ballmer responderam várias perguntas de funcionários e contaram um pouco da história da Microsoft, do início dos tempos. Foi impossível conter as lágrimas no palco e na audiência.

 

A Microsoft começou 33 anos atrás como um sonho de Bill Gates e Paul Allen. Os dois se conheceram em Lakeside school, uma escola de 2º. grau em Seattle. Conseguiram instalar um terminal de computador na escola (lembre que isto era início da década de 70) e usaram todo o tempo disponível para ‘brincar’ com o computador, desenvolvendo software. Os dois rumaram para a universidade de Harvard levando junto a paixão por software. Em Janeiro de 1975, em um dia frio do inverno de Boston Paul viu na banca a capa da revista ‘Popular Electronics’ com o Altair e disse para Bill: “Está acontecendo, alguém vai começar a desenvolver software para esta máquina e nós não podemos ficar de fora”

 

 

 

 

Os dois então compraram o kit, desenvolveram um interpretador da linguagem Basic para o Altair 8800 e conseguiram licenciar o produto para a MITS (fabricante do Altair). Neste mesmo ano, Bill Gates e Paul Allen abandonariam Harvard para fundar a Microsoft em Albuquerque, Novo México, então sede da MITS.

 

Encontrei nos arquivos da Microsoft esta carta aberta destinada aos ‘Hobbysts’ termo usado para denominar os programadores no início da década de 70. Interessante notar como Bill  – que além de guru técnico também tinha um apurado senso de negócios – questionava um conceito que era comum na época: a idéia de que o software deveria ser compartilhado e de graça. Gates defendia o princípo de que o software deveria ser cobrado e a receita investida no aprimoramento do produto.

 

Em 1979 Bill trouxe a Microsoft para a sua terra natal na região de Seattle e em 1980 ele conseguiu recrutar Steve Ballmer para trabalhar na companhia. Steve era um colega de Harvard que conseguiu completar a graduação mas também abandonaria a pós-graduação em Stanford para viver o sonho do software com Bill e Paul.

 

A história da Microsoft registra vários momentos marcantes, mas sem dúvida o mais significativo foi o licenciamento do MS-DOS para a IBM.

 

Você pode não acreditar, mas no início da década de 1980 poucas pessoas apostavam no sucesso do computador pessoal (PC). Em 1981, depois de ver competidores como Apple, Atari e Commodore definirem o mercado de computação pessoal a IBM finalmente resolveu reagir e lançar o seu próprio produto – IBM-PC. Usando uma estratégia inovadora para a época a IBM, ao invés de desenhar e criar os componentes eletrônicos (chips) como sempre fazia, decidiu construir uma máquina baseada em componentes disponíveis no mercado, passando a depender de fornecedores de componentes de diversos países, sendo a maioria da Asia. Era o início da filosofia OEM (Original Equipment Manufacturer) aplicada aos computadores.

 

A IBM não via o software como um negócio.  Como todos os fabricante de hardware da época, a IBM apostava na máquina como principal fonte de receita. Sendo assim, ao assinar com a Microsoft o contrato de licenciamento do sistema operacional MS-DOS (software que regula as funções básicas da máquina) não teve problemas em aceitar uma cláusula que permitia à Microsoft licenciar o produto para outros fabricantes de computadores, o que é citado hoje como o maior negócio do século 20.

 

E assim nascia a indústria de software. O fato da IBM usar componentes de mercado possibilitou que várias outros fabricantes de hardware também criassem máquinas compatíveis com o IBM-PC, na época chamada de ‘clones’. Isto levou a uma explosão do mercado de PCs em diversos países (inclusive o Brasil). Cada PC vendido ia acompanhado de uma cópia do MS-DOS que os fabricantes compravam da Microsoft – o crescimento do mercado levava junto a empresa de Bill Gates, Paul Allen e Steve Ballmer. E o fato das máquinas serem todas baseadas na mesma arquitetura e usarem o mesmo sistema operacional criou a escala para o desenvolvimento de vários aplicativos – Lotus 1-2-3, WordPerfect, dBase além do MS-Word da própria Microsoft.

 

Em 1984, na esteira do sucesso mundial do padrão IBM-PC, três fabricantes brasileiros começaram a fabricar os clones no Brasil: Scopus, Microtec e Itautec. Me tornei usuário da Microsoft em 1985 quando trabalhava no Banco do Brasil e tive acesso a um Nexus 1600 da Scopus. Eram tempos heróicos – o bicho vinha com dois drives de disquetes e cada disquete aguentava somente 360k. Me lembro como fiquei admirado quando adicionamos um dispostivo do tamanho de uma caixa de sapatos: um winchester de 10MB! Ainda assim, posso me considerar um privilegiado por ter participado da primeira geração de usuários do PC no Brasil. Lembro o espanto dos meus colegas na universidade quando mencionava que usava um ‘Microcomputador de 16 bits’

 

 

Como Steve disse ontem, o evento de despedida parecia uma festa de formatura. Estávamos felizes por ver Bill Gates fechar com louvor sua trajetória na Microsoft e ao mesmo tempo tristes pela partida de um gênio da sua era.

 

Hoje temos outros desafios para enfrentar, totalmente diferentes daqueles de 33 anos atrás. Mas Bill deixa como legado a cultura da Microsoft e uma empresa sólida, com capacidade financeira, humana e técnica para vencer os próximos desafios e competidores. 

 

Tenho muito orgulho de ter participado de 1/3 desta história como membro do time Microsoft. Valeu Bill! Muito sucesso no imenso desafio de ajudar quem mais precisa. O mundo agradece.

 

June 01

Brasil 3 x 2 Canada

 
Bem amigos brasileiros, ontem fomos à Seattle downtown para assitir ao jogo do Brasil com o Canada, incrível oportunidade de conferir ao vivo e a cores a performance da seleção canarinho. A última vez que o Brasil jogou em Seattle foi em 1976 quando derrotamos um combinado de jogadores da liga americana por 2 a 0.
 
Abrem-se as cortinas e começa o espetáculo
 
Na primeira prova de que Deus é Brasileiro, ontem antes da partida estava fazendo aquele típico dia de primavera Seattle (garoa, nublado, um pouco de frio). Aí abriu um sol maravilhoso por volta de 18:30, pouco antes do horário do jogo, 19:30 no horário daqui. O dia bonito só fez enaltecer o majestoso estádio Qwest field, casa dos Seawalks, time local de futebol americano. Nem precisávamos da cobertura anti-chuva nas arquibancadas.
 
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Vista do gramado em Qwest Field. Observe no topo a cobertura que protege o público contra a chuva
 
E Deus passou novamente no teste quando conseguimos sair de campo com uma vitória suada por 3 a 2.
 
Futebol, um momento-família
 
Não vou entrar no mérito da qualidade do futebol (deixo isto para os analistas e comentaristas). Mas enquanto atividade lúdica e familiar, assitir a jogo de futebol no primeiro mundo foi uma esperiência fabulosa. Cito aqui alguns momentos Mastercard:
 
  • Não tem preço: Com cadeira marcadas você pode ir ao banheiro ou pegar uma cerveja e ter a certeza de que não vai perder o lugar
  • Não tem preço: Minha filha de 5 anos reconhecendo "Pai, é a primeira vez que eu vejo um jogo de verdade"
  • Não tem preço: A família toda levantando os braços e gritando GOOOOOOOOOOOOOOOOL do Brasil 4 vezes (sim, claro que também gritamos no gol anulado)
  • Não tem preço: Banheiros razoavelmente limpos
  • Não tem preço: Assistir ao espetáculo do futebol tendo como pano de fundo o espetáculo do pôr do sol em Seattle
  • tem preço: Sim, o conforto tem preço ($50 o ingresso, $13.5 uma cerveja e um hot-dog) mas vale a pena!
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Vista do por do Sol da minha cadeira em Qwest Field. Veja a space needle ao fundo, à direita
 
Nunca fomos tão bons-de-bola
 
Muito interessante é ver a diferença na cobertura jornalística entre os jornais do Brasil e de Seattle. No Brasil, predominam comentários sombrios sobre as dificuldades do Brasil
Estadão: "A badalada seleção brasileira, de Robinho e Diego, sofreu, e teve de contar com as falhas do oponente, para derrotar o quase anônimo Canadá, por 3 a 2"
Aqui sobra espaço para a fantasia do futebol brasileiro numa prosa que beira o ufanismo militar dos anos 70.  
Seattle Times: "Os fãs do futebol vieram assistir os Brasileiros atacarem em ondas amarelas e azuis. Eles vieram assistir uma nova geração - Robinho, Pato, Gilberto - abrilhantarem o caminho que todos os seus antecessores já tinha iluminado. Eles vieram assistir a este belo time jogar um futebol brilhante. Eles vieram ao Qwest field para ver a mágica"
 
dancingBrazil 
Capa do caderno de esportes do Seattle Times
 
Obrigado Brasil! Ontem foi um momento especial para todos nós aqui deste lado do mundo. Apesar de viver nos Estados Unidos, nunca deixamos de ser brasileiros. Ontem, durante os 120 minutos do jogo, eu posso afirmar daqui que Nunca Fomos tão Brasileiros!
 
 
May 24

Visita à Costa Leste

No final de semana passado fiz uma rápida viagem à costa Leste para encontrar meu pai que estava em Nova Iorque a trabalho. Depois de 5 horas de vôo Seatle-Newark (New Jersey), peguei um trem e em 30 minutos estava em Manhattan, como se dizia antigamente, na 'zona do burburinho'.
 
Nova Iorque, por ser uma cidade bem maior e mais antiga do que Seattle, oferece uma multitude de opções culturais, vários meios de transporte, infinitos restaurantes. No sábado fomos ao ponto alto do nosso roteiro de fim de semana: uma vista a Filadélfia, berço da democracia americana.
 
Foi nesta cidade histórica que se passaram dois marcos importantíssimos da história americana: A declaração de independência e a assinatura da constituição que criou o que hoje conhecemos como Estados Unidos da América. Olha aí a foto do local onde estes documentos foram assinados:
 
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Abaixo duas cenas tipicas em Filadelfia: Este blogueiro traçando um Philly Cheese Steak e posando do lado do Liberty Bell, símbolo da luta pela liberdade nos Estados Unidos.
 
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Na volta a Nova Iorque no Domingo tivemos tempo de passear na 5a. avenida e visitar o renovado Museu de Arte Moderna (MoMa)

NyDad

 

May 16

CSI:NY usa tecnologia Microsoft

Esta semana todos as grandes séries da TV americana (aqui chamados de TV shows) estão encerrando a sua temporada. O último episódio é chamado de 'season finale'
 
Nesta temporada um dos episódios do CSI NY usou uma tecnologia Microsoft chamada photosynth para ajudar na investigação de um crime.
 
 
A tecnologia permite combinar fotos digitais e criar um ambiente virtual em 3D. No site do Photosynth é possível ver uma incrível virtualização da Piazza San Marco em Veneza. No episódio os CSIs recriam o ambiente em um night club a partir de fotos de celulares.
 
Confira a história e a tecnologia nos links abaixo:
 
April 20

São os Flocos de Abril ...

Como já dizia o grande Jobim, no Brasil as águas de Março vão fechando o verão. Enquanto isto aqui em Seattle os flocos de neve em abril vão fechando o inverno.
 
Êpa, peraí, o inverno no hemisfério norte termina em Março! Sim, mas este ano estamos vivendo um fenômeno inusitado. Neve em plena primavera! Meu jardim amanheceu hoje todo branco e tivemos um dia maravilhoso em Snoqualmie Pass (estação de esqui aqui perto).
 
A foto das tulipas cobertas de neve é a melhor representação da mistura inesperade de inverno com primavera:
tulips-snow
 
Falando em tempo, nesta semana participei de uma feira cultural na escola da minha filha caçula onde fiz uma pequena apresentação do Brasil para uma platéia de crianças entre 5 e 7 anos. Claro que falei de futebol, samba, churrasco e feijoada, mas as crianças ficaram encantadas com a informação de que na maioria das cidades do Brasil não é necessário ir de casaco para a escola.
 

Como nos ensinavam os professores de geografia no 1o. grau, no globo temos dois tipos de zonas climáticas: Tropical (entre os trópicos) e Temperadas. Diferente dos Estados Unidos que fica na Zona Temperada Norte, grande parte do Brasil está dentro da zona tropical. Quem já sabia disto há muito tempo é o Jorge Benjor, no tempo em que ele se chamava Jorge Ben e cantava: "Moro, num país tropical ..."

 

Claro que esta diferença de temperatura tem um grande impacto no estilo de vida no Brasil e nos Estados Unidos. Aqui na américa temos estações bem definidas, com grandes variações no termômetro de uma estação para outra. Isto faz com que as pessoas tracem planos e projetos usando a estação como referência:

 

  • Vamos vender a nossa casa na primavera
  • Iremos começar o projeto no próximo outono
  • Neste verão vamos repintar o quarto das crianças
  • O produto foi lançado no inverno passado

Enquanto isto, no Brasil só temos mesmo uma estação referência: o verão. E isto porque Verão significa férias e hora de ir para a praia, como já dizia a Marina em "Vem chegando o Verão .....". Também usamos nomes de estações para designar a próxima moda: primavera-verão, outono-inverno. E só.
 
Para ilustrar o assunto e fechar este post, veja aí este gráfico que fiz no Excel comparando as médias mensais de temperaturas entre Brasília e Seattle. Claro que a temperatura aqui é mais baixa, mas o interessante também é a variação de médias entre as estações aqui em Seattle, comparada com a linha quase reta em Brasília. Além disto podemos constatar que em pelo menos 1 mês do ano (Julho) o tempo em Seatte é melhor do que em Brasília.
 
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Fonte: http://br.wheater.com